Há menos de 10 km da capital mineira, o bairro Jardim Canadá tornou-se o polo empresarial e industrial com maior crescimento de Nova Lima.

A região noroeste de Nova Lima, às margens da BR-040, possui hoje cerca de 1.100 empresas, sendo que cerca de 700 estão instaladas no Jardim Canadá. Segundo estatísticas da Prefeitura, o bairro possui cerca de 4,8 mil habitantes, com cerca de 1,2 mil imóveis residenciais, 606 empresas comerciais, 38 prestadoras de serviços e 58 indústrias, sendo o segundo maior contribuinte de arrecadação tributária da cidade. Conforme dados da Associação Industrial e Comercial do Jardim Canadá (AICJC), o bairro gera cerca de seis mil empregos diretos.

Com mais de 50 anos, o Jardim Canadá começou a ter um pequeno movimento de ocupação residencial há 20 anos. As empresas e indústrias só chegaram há 15 anos, sendo que houve um aumento significativo de expansão nos últimos dez anos. “Teoricamente, você tem um pólo industrial de Belo Horizonte muito saturado, que fica em Contagem e Betim”, diz Ângela Lage, presidente da AICJC. “O crescimento veio principalmente pela localização estratégica e preços acessíveis de terrenos. Muitos empresários daqui vieram da zona sul da capital e de condomínios adjacentes e, mesmo com a precariedade de infraestrutura na época, apostaram na região”, completa.

DIFERENCIAL

O Jardim Canadá é conhecido pelo seu dinamismo. Além da localização estratégica, o bairro possui um sistema de infraestrutura logística muito bem estruturado e empresas de vários setores, seja na área de engenharia, tecnologia, gastronomia, eventos, construção, comércio, design, industrial, moveleira etc. “A grande vantagem da região é que ela sobrevive a qualquer crise devido a essa diversidade”, garante Ângela.“Cada negócio em sua especificidade tem sua jogada e planos para contornar os problemas. Tentamos nos manter dentro do próprio bairro. Em vez de gerar dificuldades, temos que gerar oportunidades”, completa.

 A empresária se mostra otimista em relação à atual crise. “O Jardim Canadá vinha crescendo em torno de 12% ao ano durante os últimos dez anos. Pode ser que essa média diminua, mas não significa que vai paralisar. Acredito que o primeiro semestre será de cautela, mas a partir do segundo já teremos uma retomada”, finaliza.

A ASSOCIAÇÃO

A AICJC foi fundada em fevereiro de 2003 com o intuito de suprir as demandas e necessidades dos empresários locais, gerando projetos e ações que contribuam para melhores condições de trabalho para as empresas que se instalarem na região. “Nosso trabalho não se limita apenas a atividades voltadas ao empresariado. Temos uma ampla visão social, pois acreditamos que o ambiente no qual a empresa está inserido tem de ser cuidado”, ressalta o diretor financeiro da associação, José Alexandre Leão. “Aqui nós oferecemos diversos serviços à população, além de cursos e empregos diretos. Quem mora aqui tem preferência de contratação, não só por gerar menos custos às empresas, mas principalmente porque toda a melhora da qualidade de vida é revertida a nós, nosso bairro e sociedade”, completa Ângela.

O AICJC assumiu uma posição de liderança junto à comunidade e levou ao poder público municipal e empresas prestadoras de serviço público demandas que foram diretamente influenciadoras de ações que resultaram em melhorias no bairro. “Todos nos receberam de portas abertas. Quando viemos para cá tínhamos esgoto a céu aberto, as ruas não eram asfaltadas e a iluminação era precária. Hoje já temos

internet banda larga e as demais questões melhoraram muito. Reconhecemos o esforço que a Prefeitura e os demais órgãos demandam à nossa região, mas ainda está aquém das nossas necessidades”, lembra o presidente.

PROBLEMAS

Segundo José Alexandre, um dos principais problemas no bairro é a falta de uma agência bancária. “Existe uma deficiência seríssima devido à falta de bancos. Aqui temos um capital circulante altíssimo. A ausência de um banco vem contra tudo que o bairro vem se tornando. A falta de sinalização das vias também é outro agravante”. No bairro, algumas ruas não são asfaltadas e a maioria não possui placas de identificação e nem sinalizações verticais e horizontais de trânsito.

Os empresários ainda reforçam que a Prefeitura deveria investir mais em educação e também reclamam da segurança. O 2º Tenente do 12ª Batalhão da Polícia Militar de Nova Lima, Fernando Fernandes de Oliveira, informou que atuam na região 22 policiais e uma média de três viaturas diárias com atendimento 24h. “Pode ser que a sensação de segurança tenha diminuído, mas isso não condiz com a nossa realidade. Se compararmos o período de janeiro a abril de 2009 com o mesmo período dos dois últimos anos, percebemos que o índice de crimes violentos diminuiu. Foram 29 em 2007, 18 em 2008 e 16 este ano”, completa.