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Rádio Itatiaia: a voz de Minas completa 60 anos
“Nós vendemos espaço, não vendemos opinião”

A frase acima, eternizada por Januário Carneiro, fundador da Rádio Itatiaia, sintetiza bem os valores dessa instituição que comemorou 60 anos, no último dia 20 de janeiro. Com uma história surpreendente, marcada por desafios e pela persistência do jovem visionário, a Rádio de Minas está entre as cinco mais importantes do país e expande rapidamente sua atuação para atender a todos os públicos e se adequar às novas mídias. Seja na internet, nas TVs a cabo, nos aplicativos de celular ou no Ipad, a Itatiaia marca uma nova era para o radialismo e o jornalismo esportivo no Brasil.

À frente dessa grande rede de comunicação está o jornalista e empresário Emanuel Soares Carneiro, mineiro, natural de Belo Horizonte e que conhece desde cedo o mundo mágico das ondas do rádio. O comentarista, repórter e apresentador deu seus primeiros passos na rádio aos 13 anos, quando passou a trabalhar com o irmão, após o falecimento do pai.

Carneiro trabalhou em diversas funções, como operador de som, plantonista esportivo, repórter, redator, programador musical, diretor artístico e diretor de operações antes de se tornar diretor-presidente. Atualmente, ele divide a gestão da Itatiaia com a apresentação dos programas Turma do Bate-Bola e Grande Resenha Esportiva. Mas sua atuação pela valorização do rádio vai além: Carneiro é presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert). Conheça um pouco mais da trajetória de sucesso da Rádio Itatiaia, liderada pelo empresário e jornalista Emanuel Carneiro.

Perfil: Aos 13 anos, o senhor já dava os primeiros passos na Rádio Itatiaia. Como essa história começou?

EMANUEL: Tudo teve início com o empreendedorismo do meu irmão, que era jornalista esportivo do jornal O Diário. Aos 23 anos, Januário conheceu uma emissora no Rio de Janeiro que se chamava Continental e se encantou pela proposta diferente da rádio, que não tinha auditório, cantores, programa humorístico e novela. Era feita na rua, com reportagem e informação. Foi quando ele trouxe a ideia e criou a rádio no município de Nova Lima, em 1952. Por causa da distância, ele mudou os estúdios para Belo Horizonte. Comecei quando meu pai faleceu. A partir daí, o Januário, que já era meu padrinho, virou pai e me ensinou tudo sobre o rádio.

“Com foco direto no esporte, no jornalismo e na prestação de serviços, a Itatiaia, que começou muito pequena e com dificuldades, foi ganhando espaço. Apostamos em coberturas, compramos muitas brigas em épocas em que não havia tanta liberdade de imprensa como existe hoje e questionamos alguns conceitos para levar ao ouvinte todos os fatos com veracidade.”

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Perfil: Com cerca de 60 emissoras afiliadas e cobrindo quase 100% do Estado, a Itatiaia é hoje uma referência no país. Como ela conseguiu conquistar o coração dos mineiros?

EMANUEL: Com foco direto no esporte, no jornalismo e na prestação de serviços. A Itatiaia, que começou muito pequena e com dificuldades, foi ganhando espaço. Apostamos em coberturas, compramos muitas brigas em épocas em que não havia tanta liberdade de imprensa como existe hoje e questionamos alguns conceitos para levar ao ouvinte todos os fatos com veracidade. Por isso, o público sempre torceu pela Itatiaia, sabendo que ela luta pelas coisas de Minas Gerais e que existe uma competência muito grande no conteúdo que fazemos e naquilo que colocamos no ar.

Perfil: Há tantos anos à frente da Rádio Itatiaia, quais são suas motivações hoje?

EMANUEL: A Itatiaia nunca pertenceu a grupos políticos, econômicos ou a entidades religiosas. Nós temos uma independência muito grande. Nunca dispensamos um funcionário por pressão de anunciante ou por política, mesmo na época da revolução. Pelo contrário, a Itatiaia abrigou muitos dos que estavam sendo perseguidos. Nossa motivação hoje está em cobrir muito bem Minas Gerais. Apresentamos notícias da eleição nos Estados Unidos, do navio que afundou na costa italiana, mas o que tem de prevalecer no noticiário é o que está acontecendo à volta daqueles que estão nos ouvindo: o que muda durante o dia, o que está ocorrendo nas ruas, se temos problemas com as chuvas ou se o banco vai funcionar no feriado. Esse é o tipo de informação que nós temos a obrigação de passar para o ouvinte, sempre em primeira mão. A Itatiaia é muito honesta com o seu público.

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“A Itatiaia nunca pertenceu a grupos políticos, econômicos ou a entidades religiosas. Nós temos uma independência muito grande. Nunca dispensamos um funcionário por pressão de anunciante ou por política, mesmo na época da revolução.”


Perfil: Um assunto que sempre lembra a rádio é a ligação com o futebol. Como ela atua para inovar no jornalismo esportivo?

EMANUEL: A cobertura de futebol começou junto com a Itatiaia. O Januário era da rádio esportiva e, durante todos esses anos, sempre estivemos presentes nas viagens dos times mineiros, na cobertura das olimpíadas, dos jogos Pan-americanos, da Copa Libertadores e em excursões dos times do Estado. A nossa presença é fortíssima nos clubes. Os repórteres da Itatiaia, por exemplo, são sempre os primeiros a chegar e os últimos a saírem nas coberturas do Atlético, do Cruzeiro e do América. Fazemos um investimento muito grande em termos humanos, pois a Itatiaia não quer deixar escapar nada. Estamos sempre com a preocupação de dar a notícia correta, e isso tem dado certo. O que o público sabe é que onde estiver um time mineiro ou uma delegação, vai haver sempre um repórter da Itatiaia.

Perfil: Essa é uma relação que mexe muito com os torcedores. Como vocês conseguem lidar com a paixão dos mineiros sem perder a imparcialidade?

EMANUEL: É um trabalho gratificante e ao mesmo tempo muito difícil dar a informação, além de correta e em primeira mão, de uma forma imparcial. Se a Itatiaia não fosse totalmente imparcial, ela não teria sobrevivido todo esse tempo na liderança da cobertura esportiva. Nós convivemos com a paixão do torcedor que, às vezes, atropela a razão. Ocorre de terminar uma cobertura de um jogo entre Atlético e Cruzeiro e os ouvintes falarem que demos mais destaque para um ou para outro time, e quando vamos verificar na gravação, nada disso aconteceu. Aqui na rádio, sempre que contratamos alguém na equipe esportiva, eu só não pergunto para qual time torce (risos). Porque é impossível um cidadão gostar de futebol e não ter um time de preferência.

“Nós convivemos com a paixão do torcedor que, às vezes, atropela a razão. Ocorre de terminar uma cobertura de um jogo entre Atlético e Cruzeiro e os ouvintes falarem que demos mais destaque para um ou para outro time, e quando vamos verificar na gravação, nada disso aconteceu.”

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Perfil: A cobrança pela imparcialidade ocorre também na política. Qual o posicionamento da rádio com relação ao repasse de informações para o ouvinte?

EMANUEL: Nós trabalhamos com uma lei: não pode colocar no ar qualquer coisa que dê a impressão de não estar correto por causa de uma preferência política ou futebolística. Queremos que a Itatiaia mantenha a preocupação diária de ser isenta, imparcial e correta na sua linha de informação.

Perfil: Quais são os próximos passos para manter a qualidade sem perder o foco nas rápidas mudanças tecnológicas?

EMANUEL: Atualmente temos a preocupação de trabalhar a nova geração de comunicadores para que, junto com nomes de peso da rádio, possamos inovar sempre e levar a melhor programação para os mineiros. Digo que somos insatisfeitos e não ficamos acomodados. Um bom exemplo disso é que analisamos as cartas ou e-mails que a população escreve com observações sobre a programação, e isso provoca reuniões na Itatiaia, o que demonstra o respeito que temos pelo ouvinte. O ouvinte é mais importante do que o anunciante, pois só tem anunciante a emissora de rádio, TV ou jornal que tiver público. Colocamos o público em primeiro lugar; o anunciante é a consequência.

Perfil: Podemos dizer que esses 60 anos são só o começo de uma bela história?

EMANUEL: Claro! (risos). Temos muito ainda pela frente. Queremos continuar prestando serviço, ser uma emissora de ligação direta com a comunidade, passar informações e muito mais. A Itatiaia hoje não está só no radinho de pilha: está na internet, nos aplicativos de telefone, nos canais a cabo de televisão, e a abrangência é muito maior. O meu irmão sempre sonhou em fazer uma grande rádio, e vejo que superamos todas as expectativas.

“Nós trabalhamos com uma lei: não pode colocar no ar qualquer coisa que dê a impressão de não estar correto por causa de uma preferência política ou futebolística. Queremos que a Itatiaia mantenha a preocupação diária de ser isenta, imparcial e correta na sua linha de informação.”