A cidade das jóias
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Seg, 01 de Dezembro de 2008 14:16

Foto: Divulgação

Com um investimento de 30 milhões de reais, o Pólo de Gemas e Jóias vai aumentar a participação do mercado mineiro no país e no mundo.

A nova face econômica de Minas Gerais começa a ser traçada em Nova Lima, onde será sediado o Pólo de Gemas e Jóias da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O projeto começou a ser idealizado há três anos por um grupo de empresários mineiros, com o objetivo de fazer um amplo diagnóstico da situação da área de jóias e pedras do Estado. O trabalho procurava traçar diretrizes com dois destaques: aumentar o número de exportações e a participação das indústrias de Minas Gerais no mercado brasileiro.

O empresário Manoel Bernardes, um dos idealizadores do projeto, disse que esse trabalho apenas se tornaria viável se existisse uma filosofia de participação comunitária. “Pressentimos ter que trabalhar fisicamente mais próximos e com uma liderança do processo em assuntos que considero absolutamente necessários como o design, a terceirização da produção e incubadoras de empresas. Isso só poderia ser feito dentro de um modelo de Arranjo Produtivo Local, as famosas APL’s”. Assim, em 2008 foi criada a Associação das Empresas e dos Empresários do Condomínio Industrial do Pólo de Gemas e Jóias da Região Metropolitana de Belo Horizonte (AJOPOLO), com o objetivo de defender os interesses comuns das empresas que aderissem ao projeto. O empreendimento integra o Projeto Pólo de Gemas, da AngloGold Ashanti – que visa instalar um complexo turístico e requalificar a área urbana central de Nova Lima – em parceria com o Sindijóias, o sistema FIEMG e a Prefeitura da cidade.

O pólo, que começa a ser construído em 2009 no terreno da antiga planta industrial da Mina de Morro Velho, terá uma estrutura de 22 mil metros quadrados e capacidade para abrigar aproximadamente 60 empresas. De acordo com o Sindjóias-MG, os principais resultados desse projeto serão o fortalecimento das micro e pequenas empresas, a redução da atividade informal do setor, o aumento do valor agregado dos produtos e o desenvolvimento econômico, social e dos serviços técnicos no Estado.
A infra-estrutura básica do pólo terá um investimento inicial de 30 milhões de reais e vai gerar cerca de 500 empregos diretos, em categorias como ferramentaria e tratamento de resíduos, entre outras. Além disso, vai terceirizar os processos de fundição e apuração de jóias.

A CIDADE

A inauguração do mercado de gemas e jóias mudará a concepção urbana de Nova Lima. “A cidade tem uma posição geográfica muito delicada, com circulação extremamente difícil. A possibilidade de se resolver o problema da malha viária local, combinada com uma revitalização do centro urbano que possibilite fazer o resgate histórico da cidade, vai impactar significativamente por dois motivos: mudará os hábitos das pessoas e dará um ar de modernidade ao município”, disse Manoel Bernardes.

O MERCADO


Segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBMG), o país é internacionalmente conhecido pela diversidade de pedras preciosas, sendo o maior produtor de esmeraldas, o único de topázio imperial e um importante produtor de ouro. Estima-se que o Brasil seja responsável pela produção de cerca de um terço do volume das gemas do mundo, com exceção do diamante, rubi e safira. O País exporta atualmente para três grandes mercados: os Estados Unidos, o Oriente Médio e a Rússia.

De acordo com o empresário Manoel Bernardes, falta uma política minerária clara para o Brasil e a regulamentação da figura do garimpeiro. Ele acrescenta que para o setor industrial é necessário estabelecer um marco regulatório competitivo, desenvolver a capacitação de Recursos Humanos, além de manter-se permanentemente atualizado.

AS JÓIAS

O Brasil tem capacidade de produzir jóias sem precisar importar pedras preciosas. Mas, para colocar Minas Gerais como um pólo voltado para o mundo, Manoel Bernardes diz que os produtores não podem se restringir aos recursos e insumos locais. “Nós lutamos pela internacionalização do pólo, ou seja, queremos que matérias-primas de todos os lugares sejam trabalhadas no Brasil e que o país seja uma plataforma de jóias para o mundo”, explica.

O país não é competitivo em termo de custos em relação aos países do Extremo Oriente, como a Indonésia, o Vietnã, a Índia e a China, que possuem grandes fábricas de jóias. A única alternativa brasileira, conta o empresário, é o design. “A jóia brasileira tem características representadas por três elementos: cor, alegria e sensualidade. O desafio é fazer um produto reconhecidamente brasileiro, mas ao mesmo tempo universal”.

ÉTICA E SUSTENTABILIDADE

Segundo pesquisas do IBGM, existe uma crescente preocupação com os aspectos éticos e de sustentabilidade na produção, industrialização e comercialização de gemas e jóias. O empresário Manoel Bernardes diz que o Brasil e a AngloGold Ashanti são exemplos de controle e cuidado com o meio ambiente e exploração adequada.