Da magia à educação
Matérias Publicadas - Educação
Sex, 10 de Dezembro de 2010 16:45
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Da magia à educação

Enquanto a professora passa os ensinamentos para as crianças na sala de aula, em outro canto do colégio atores se fantasiam de personagens que povoam o imaginário infantil: fadas, príncipes e princesas. Em instantes, uma grande brincadeira irá começar. Quando a princesa Azaleia chega, está tudo pronto para a visita, já que a meninada preparou receitas deliciosas para a ilustre presença. Na verdade, o que eles estão fazendo, de forma lúdica, é um grande exercício de matemática envolvendo quantidades. Em outro momento, quando eles vão procurar a pedra dourada da Fada Minéria, que é mágica e dificílima de achar, eles também estão exercitando o raciocínio matemático. “Até que os alunos consigam achar a pedra, existe um processo de aulas e aulas dos meninos contando, buscando, imaginando”, diz Virgílio Machado, diretor do Coleguium.

Na educação infantil do colégio há uma série de personagens. Alguns deles são inanimados, como o senhor Tesoureco, que na verdade não existe – é uma tesoura enfeitada e que servirá de instrumento para ensinar as formas geométricas aos alunos. Todo dia chega uma cesta de costura na sala de aula e lá dentro está o ilustre personagem. O papel, que é colocado no recipiente, é recortado durante a noite por ele. “Na cabeça da criança de quatro anos é o senhor Tesoureco que cortou aquilo, ele nem cogita que pode ter sido ideia da professora”.

Virgílio acrescenta que a magia dentro da escola faz com que o aprendizado e a alfabetização, aos cinco anos, aconteçam de forma natural, lúdica e encantadora. “Essa é uma fase adorável, inesquecível para esses meninos”, ressalta. educacao2

QUANDO MUDA O INTERESSE

As crianças crescem um pouco e a forma de ensinar também muda, já que os alunos começam a entrar na educação mais sistemática. Sai a fantasia, entra a arte. Pode ser com o projeto em que eles aprendem sobre a Jovem Guarda, pode ser nas aulas de teatro ou nas aulas de música. “É uma delícia ouvir os meninos de oito anos cantando Roberto Carlos e sabendo quem é Martinha, Erasmo, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, ou mesmo subindo aos palcos para encenar uma peça ou uma apresentação de dança. Ver de perto o desempenho e o desenvolvimento de cada um é fabuloso”, conta o diretor.

O professor Virgílio afirma que, para que a educação seja prazerosa, é preciso respeitar o interesse dos alunos. Por isso a escola criou o Projeto X. “A partir do sexto ano eles têm de fazer um trabalho sobre um tema livre que será apresentado na Feira de Ideias. Então, aparecem trabalhos de diversos temas como: povos ciganos, esquizofrenia, mitologia grega, segunda guerra mundial, teatro do improviso, língua portuguesa”. Também é a partir do sexto ano que os alunos ingressam em uma das seis casas estudantis. Eles vão permanecer nessas casas até o final do Ensino Médio e cada uma delas tem um presidente, um vice-presidente, um representante da unidade, todos alunos. O contato entre os estudantes é feito via redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter – ferramentas que são administradas pelo colégio. “É por lá que eles se comunicam e se organizam. E ao longo do ano nós temos uma série de competições que envolvem as casas estudantis, tanto competições acadêmicas quanto competições esportivas ou de dança.

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“Encantei-me com o ofício de professor, foi então que resolvi abrir uma escola que fosse do ensino infantil ao fundamental. Eu não tinha dinheiro, apenas imaginação.”

Virgílio Machado, diretor do Coleguium

No final de cada ano a casa vencedora ganha uma viagem”, conta. A criação dessas casas gerou nos alunos uma interação e o interesse de que todos tenham boas notas. “Podemos comprovar isso pelos depoimentos nas redes sociais, com alunos cobrando desempenho escolar dos colegas para ganharem pontos nas casas”. O gerente de marketing do Coleguium, Fabrício Ribeiro, acrescenta que “as redes sociais tornaram-se essenciais para uma comunicação direta entre os alunos e o colégio. Elas possibilitam dar respostas rápidas quando eles não estão na escola e, ainda, permitem informar sobre os nossos acontecimentos e fornecer notícias e artigos sobre educação, inovação, tecnologia e vestibular”.

 

A criação de uma gincana estudantil fomentou a campanha da Biblioteca Solidária. Os alunos levam livros para a escola, sendo que parte é agregada ao acervo e outra parte vai para instituições. “Normalmente nós arrecadávamos cerca de 500 livros, mas este ano foram arrecadados sete mil exemplares, já que os alunos estão querendo marcar pontos para a casa”. Esse trabalho é uma estratégia para movimentar a escola e ao mesmo tempo destacar e valorizar os meninos que têm valores que são considerados importantes, “para que, quando chegar a hora dos desafios fora daqui, como o vestibular e o mercado de trabalho, eles já estejam preparados”, finaliza o diretor.

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COMO TUDO COMEÇOU

Depois de passar por várias experiências profissionais, algumas pouco empolgantes, o professor Virgílio Machado resolveu fazer uma colônia de férias num galpão da família. Em 1987, recebeu seis crianças e passou 30 dias com ela. “Encantei-me com o ofício, foi então que resolvi abrir uma escola que fosse do ensino infantil ao fundamental. Eu não tinha dinheiro, apenas imaginação”, relembra. A escola que começou a funcionar num galpão abandonado foi crescendo. “Em 1996, uma rede de supermercado me procurou para comprar um terreno da família, o que viabilizou a construção do nosso primeiro prédio.

Nessa época já tínhamos aproximadamente 400 alunos”, conta o diretor. Foi nesse momento que Virgílio tomou uma importante decisão. “Como eu já tinha filhos adolescentes, eu fiquei pensando que eu não gostaria que meus filhos estudassem numa escola de três mil alunos. Fiz a opção por continuar com uma escola pequena”. A partir de 1998 a escola passa por nova reestruturação. “Eu não gostaria apenas de ter uma escola que fosse um ambiente sadio, acolhedor, gostoso e fascinante para os meninos, ele também deveria ser um ambiente extremamente desafiador, com profissionais qualificados, para eu poder explorar ao máximo o potencial desses alunos. Então pensei, por que não abrir uma série de pequenos núcleos? Hoje temos dez unidades e mais de 2.500 alunos”.

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