Como educar esta nova geração?
Matérias Publicadas - Educação
Por Lorena Macedo   
Qui, 14 de Outubro de 2010 16:04
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Como educar esta nova geração?

Vivemos um momento histórico de grande complexidade. As inovações tecnológicas nos atropelam numa velocidade sem precedentes e encontram, particularmente nas crianças e adolescentes, um terreno fértil. Celulares, computadores, i-phones, videogames portáteis e as mídias sociais – Youtube, Facebook, Orkut, Twitter – estão criando novas formas de relacionamento e um novo modo de “estar no mundo”.

Essa nova realidade se mostra irreversível. Não há como negar que vivemos uma profunda mudança de paradigmas: o mundo interconectado é um novo espaço de realização humana e de convivência. Para a escola, esse novo mundo exige adaptações e recriações frequentes das estratégias nos processos pedagógicos. E o desafio reside neste ponto: num cenário de mudanças irrefreáveis, grande parte da tarefa da escola é a construção de valores humanos mais amplos e resistentes ao tempo: fraternidade e presença, diante do isolamento digital; autonomia e criatividade, embora haja tantos recursos “clique e pronto!”. O ambiente escolar incorpora as novas mídias – pois, do contrário, cairia na obsolescência – para, simultaneamente, usá-las de forma produtiva e mantê-las sempre em xeque, avaliação e crítica.

É inegável que a instrumentalização tecnológica enriquece as atividades acadêmicas. Mas a escola não pode visar apenas à formação acadêmica, simplesmente porque isso não é suficiente: as bases do ser humano são emocionais, fortemente dependentes das relações sociais. O objetivo da educação é o ser humano inteiro, em todas as suas demandas.

Nós, educadores e pais, caminhamos em terreno instável diante do desafio de educar a nova geração que aí está. Que valores devemos e podemos oferecer às crianças e adolescentes? Como alcançar suas mentes e corações, quando temos que competir com uma realidade virtual que os seduz, num mundo de mudanças velozes, que os hipnotiza com um consumismo desenfreado?

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Lorena Macedo

Diretora do Colégio Santo Agostinho

Unidade Nova Lima

Como oferecer estabilidade e segurança, quando a palavra de ordem é viver o aqui e agora, sem as raízes do passado e a esperança do futuro?

Mas não deve haver lugar para pessimismo. Afinal, os momentos de crise podem ser positivos ou negativos. Depende de como deles nos apropriamos. A crise é positiva quando nos incentiva à criatividade; quando nos aponta novos caminhos e direções. Mas pode ser negativa se nos desorienta, se nos deixa sem referências e produz em nós incertezas a respeito dos próprios valores.

Nossa missão como educadores – e é essa visão que nos orienta no Colégio Santo Agostinho – é educar as crianças e jovens para os valores éticos, ajudando-os a perceber que vivemos diante de uma realidade humana ambígua: positiva e negativa. Devemos, pois, assumir sem medo uma atitude crítica diante da realidade, afirmando o que é positivo e negando o que é negativo. Devemos assumir essa postura todos os dias, em todos os momentos, numa atitude corajosa de criar pilares sólidos que deem referências de valores inquestionáveis e imutáveis, como o amor, a solidariedade, o respeito, a esperança, a generosidade, a fé.

A escola deve ser um ambiente acolhedor, humano, que atraia o interesse dos alunos. Atividades artísticas e esportivas dentro e fora do horário de aula; iniciativas culturais, ações de solidariedade, momentos de encontro, palestras, festas, enfim, devemos nos reinventar constantemente para estarmos conectados a esse novo mundo, sem perdermos as raízes que nos sustentam. Mas, antes e acima de tudo, na escola a criança e o adolescente precisam sentir que são acolhidos e cuidados. Isso fará com que descubram seus reais valores. Quanto mais cuidada, mais a criança se humaniza. Tudo o que é humano nos fala e a primeira exigência da ética é que sejamos humanos. Essa é a linguagem que atravessa séculos e não encontra fronteiras: a linguagem do amor, do interesse pelo outro, do abrir-se para alcançar suas forças e fraquezas. Se a escola consegue oferecer esse ambiente de encontro e cuidado, a formação, em todos os níveis, terá mais chances de ter sucesso.