Melhor de si
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Por Carla Mendonça   
Ter, 13 de Julho de 2010 19:03
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MELHOR de si

Sabe qual a melhor forma?

Se você valorizar e enaltecer seus pontos

fortes, é, definitivamente, a sua

O assunto entra em voga especialmente durante as semanas de moda. No entanto, por mais que editores, jornalistas e formadores de opinião de várias áreas e expertises debatam, o consenso não aparece. O tema, inclusive, já foi assunto de discussão política de Bill Clinton. Não, não é a importância econômica da moda que suscita tanto alvoroço. É o efeito que ela tem na autoimagem da mulher.

Muito se discute sobre padrões de beleza. Por mais que, ao longo da história, eles sempre tenham existido, na contemporaneidade, especialmente pela difusão midiática, aparentemente eles atingem em cheio tudo e a todos. Fonte inesgotável de insatisfação para um sem número de mulheres, o padrão que sugere uma mulher alta e magra é, na melhor das hipóteses, difícil de ser atingido e não corresponde às formas naturais da maioria do público feminino.

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No entanto, pode-se notar uma leve mudança no mercado. E o motivo é simples e óbvio: uma vez que grande maioria dos consumidores não se parece com as imagens veiculadas em larga escala, algumas empresas vêm optando por diversificar as possibilidades de representação e abarcar para si aqueles compradores que desejam ver pessoas mais parecidas consigo associadas aos produtos de que tanto gostam. Dessa forma, vê-se, aos poucos, a emergência de modelos um pouco menos tirânicos e mais saudáveis e um encorajamento de aceitação das formas, cores, cabelos e comportamentos dos mais variados. Obviamente este não é um elogio ao desleixo. Muito antes pelo contrário. A maioria dos profissionais que trabalham com gerência da aparência é categórica ao afirmar que aceitar-se bem não quer dizer esquecer de se cuidar, mas sim enfocar o que há de melhor e lidar com aquilo que incomoda.

RIQUEZAS SÃO DIFERENÇAS

Especialistas em aparência são uníssonos quanto à existência de inúmeros tipos de beleza. Por mais que vejamos, especialmente nos desfiles, um certo tipo de mulher, eles sabem que as suas compradoras e clientes são belas de formas diferentes e nem por isso menos atraentes. Jonatan Alves, estilista, defende que “toda pessoa tem sua beleza e deve saber valorizála”. Ele acredita que os padrões se tornaram mais democráticose “a pessoa deve investir naquilo que tem de melhor”. O estilista acredita que a mulher “tem que ter informação para valorizar e ressaltar as belezas do rosto e corpo. Não é necessário tentar caber em modelos propostos. A chave é se reinventar e valorizar o que tem”. Para ele, a questão “não é ignorar a moda, mas se conhecer e usá-la a seu favor”. Isso significa, na opinião dele, “entender que biótipos existem vários e devemos respeitar isso”. O primeiro passo, então, é encontrar esse tipo e, “dentro dele adaptar as peças que vão ressaltar o melhor do seu corpo”, explica. Elaborar a medida correta de amor próprio e autocrítica é, de acordo com Alves, a chave para atingir sua melhor forma. “Todas devem se amar pelo que são, buscar informação e se olhar com cuidado no espelho. Ele é o melhor consultor”.

“Quando a pessoa investe na construção da melhor imagem ela ganha principalmente autoestima e segurança. Quando sabemos o que nos cai bem, saímos de casa muito mais confiantes e isso é notado por todos à nossa volta”. Esta afirmação é de Fabrina Sana, consultora de imagem e sócia do blog e do projeto “De olho no espelho”. Além de atualizações na web sobre moda e imagem, as profissionais que comandam ambas as iniciativas são responsáveis por eventos em locais estratégicos de Belo Horizonte – as praças da Liberdade e JK foram palcos de suas intervenções – nos quais criam um atendimento de autoimagem “expresso”. Implantados em 2009, têm por objetivo, de acordo com Sana, “fazer com que as pessoas atentem para a importância de cuidar da imagem pessoal”.

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Mas, afinal, por que isso é tão relevante? A consultora explica que “a imagem é a nossa primeira forma de comunicar com o mundo. Quando você chega para uma entrevista de trabalho, por exemplo, a sua imagem já fala muito de você para o entrevistador. Suas roupas, os acessórios que usa, tudo passa algum tipo de mensagem. Além disso, buscamos mostrar às pessoas que essa profissão de consultor de imagem existe e que não é só artista que pode contratar esse tipo de serviço. Todo mundo precisa cuidar da imagem e é um trabalho acessívela todos”.

Para que o público entenda todas as nuances de sua própria beleza, Fabrina explica que a cada evento gratuito é enfatizada uma parte do corpo. “Nos eventos que fazemos pela cidade escolhemos sempre uma análise diferente. No último, analisamos o rosto das pessoas e demos dicas de brincos, óculos, maquiagem e cortes de cabelo. Tanto o acessório quanto a maquiagem adequados vão valorizar o rosto da pessoa e lhe dar um visual mais harmônico”. Ela garante que todos adoram. “A receptividade das pessoas é enorme. Assim que a gente acaba de montar a estrutura as pessoas já formam filas para serem atendidas. Todas querem ouvir as dicas que temos para dar, passam pelas análises e todos os outros serviços oferecidos. O resultado tem sido muito bom, as pessoas saem de lá felizes por terem se conhecido um pouco melhor. E é muito legal encontrar com uma pessoa após o evento e ela vir contar que já está aplicando o que aprendeu e o quanto isso está fazendo a diferença na imagem”, comemora.

Assim como Jonatan, a consultora acredita que a beleza pode ter muitas formas. Ela explica que “hoje somos bombardeados pela mídia com um padrão de beleza, mas a consultoria de imagem veio para mostrar que todo mundo pode destacar o que tem de mais bonito e esconder o que não é harmônico. Acreditamos que todas as pessoas têm pontos fortes e belos e é isso que ensinamos para elas”. Essa percepção garante que os clientes tenham um atendimento que contemple sua identidade, aquilo que eles são e também gostariam de ser. Isso só é possível a partir da contemplação das peculiaridades de cada um. “As particularidades são fundamentais. Uma das primeiras análises que fazemos é a análise de estilo. Identificamos o que a pessoa gosta, o seu jeito, seus objetivos, sua profissão, os círculos sociais. A partir deste estudo é que identificamos o estilo e propomos um complemento que vá agregar valor à sua imagem”, explica.

Dicas de ouro

A Nova Lima Perfil pediu a vários profissionais que criassem uma lista de dicas infalíveis para nossas leitoras ficarem lindas, sempre. Leiam e usem sem moderação!

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JONATAN ALVES, ESTILISTA

O estilista sugere que “uma boa estratégia é comprar peças que possam ser usadas em ocasiões diferentes, como trabalho e balada, por exemplo”. De acordo com o Alves, deve-se “fazer a peça acontecer. Colocar acessórios, olhar a peça e observar se vai usar mais de uma vez e em quais ambientes ela poderia caber”. A maquiagem e o cabelo também são essenciais para demonstrar o melhor de si, de acordo com ele.

• Use um cinto para enfocar a cintura e criar uma silhueta de ampulheta.

• Se você tem o quadril largo, abuse das blusas compridas.

• Nunca use a barriga de fora. Ela “corta” o corpo e achata a silhueta.

• Evite, ao usar legging, as blusas curtas. Esta combinação só vale para a academia.

• Se quiser alongar a silhueta, use um colete. Ele ajuda a prolongar a linha vertical.

• Sempre opte por leggings que cubram a perna inteira. A curta achata a pessoa.

• Colares longos alongam a silhueta.

• Se quiser equilibrar o ombro e o quadril, use volume na parte mais estreita.

• Quem tem ombro largo deve evitar regatas.

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FABRINA SANA, CONSULTORA DE IMAGEM

“A primeira dica é procurar se conhecer bem. É se olhar no espelho mesmo e identificar o que fica bom e o que não fica tão bom assim. A partir daí a mulher começa a selecionar as peças mais adequadas, fazer testes e eliminar aquilo que não lhe favorece”, esclarece a consultora.

“Já no geral, os acessórios fazem muita diferença. Eles podem modificar um look e ajudar a valorizar pontos fortes”, esclarece. “Algumas dicas: um cinto marcando a cintura pode ajudar a criar curvas que não existem, o decote em V ajuda a alongar a silhueta, usar os sapatos do mesmo tom da calça também ajuda a alongar. E a maquiagem também é bem importante: com ela é possível iluminar e escurecer partes do rosto, criando uma maior harmonia”, aponta a consultora.

Claudia Blak, diretora da boutique virtual Sofisticada, é outra profissional que aposta na diversidade da beleza. Ela acredita que o ideal de beleza é hoje mais democrático. “As mulheres não precisam estar dentro dos padrões rigorosos de beleza (serem magérrimas, ter tanto de altura, tanto de cintura e de busto) para se sentirem belas ou atraírem olhares masculinos. A meu ver, essas preocupações estão cada vez mais restritas às garotas muito jovens que sonham com a carreira de modelo. De modo geral, a pressão pelo corpo ideal tem diminuído, principalmente porque muitos homens dizem preferir uma mulher não tão magra, mas com poderosas curvas, o que significa incluir também as mulheres acima do peso. E acredito, acima de tudo, que o ideal é a mulher se sentir bela do jeito que é”, defende Blak. Por esse motivo, a diretora defende que “o melhor amigo da mulher quando ela deseja ficar mais bela é ela mesma. Nada deixa a mulher mais bonita do que seu estado de espírito. Estar bela é, antes de tudo, estar bem. A produção ajuda, claro. Uma roupa nova, uma lingerie bacana, uma bela joia enchem a mulher de autoconfiança e isso é pura beleza”.

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CLAUDIA BLAK, DIRETORA DA BOUTIQUE VIRTUAL SOFISTICADA

Blak defende que, “para a mulher brasileira ressaltar sua beleza, mantendo sua identidade e de acordo com o seu biótipo, ela deve, primeiramente, investir em um look que esteja de acordo com sua estrutura física. Regrinhas básicas como abusar da cor preta no caso das mulheres acima do peso e evitar as roupas listradas na horizontal são boas dicas para não errar na produção. No caso das mulheres mais magras e longilíneas, estampas coloridas e ousadas podem ser usadas tranquilamente.Em todos os casos, uma maquiagem leve, de acordo com cada estilo e tipo de rosto são os passos iniciais para ressaltar a beleza feminina. Acessórios, como joias e bolsas, são itens indispensáveis à produção. Mas é preciso também respeitar o biótipo de cada uma. Por exemplo: jóias e bolsas muito grandes em uma mulher de baixa estatura podem destruir um look bacana”.

Quanto à lingerie, Blak explica que “a ideal pode ressaltar aspectos positivos de forma correta. Por exemplo, uma mulher que tem seios fartos não deve usar sutiãs com bojo, o que vai tornar o volume exagerado e feio. Ela deve optar por peças com taças de pouco bojo, mas com armação para dar sustentação aos seios e também mantê-los bonitos. Assim como mulheres de quadril muito largo ou com barriga saliente não devem optar por calcinhas muito pequenas ou estilo fio dental. Os biquínis devem ser mais largos, com detalhes em renda ou estampas bacanas. E é fato que uma lingerie bonita e usada adequadamente torna a mulher mais sensual. Por isso, as mulheres que querem ressaltar sua sensualidade devem apostar nas peças com rendas”.

 

OPÇÃO POR CURVAS

Em tempos de lançamento da autobiografia da modelo Crystal Renn (top model que sofreu de anorexia e, depois que assumiu suas curvas, foi muito mais bem sucedida do que quando era muito magra) e da criação de uma divisão que gerencia modelos acima do tamanho 36 na gigante Ford Models, Minas Gerais saiu na frente. Com uma proposta de diversidade de biótipos, foi lançada em Belo Horizonte, no ano passado, a agência de modelos House TMA.

A aposta em uma agência com estas características em Minas Gerais está ligada ao perfil do mercado. De acordo com um dos proprietários, Jorge Ribeiro, “Belo Horizonte não é como São Paulo, como o Rio ou como algumas capitais internacionais de moda, onde se precisa da modelo fashion: a mulher mais alta e magra, que é o que tem mais venda. BH trabalha com outro perfil de modelo”, explica.Ele ressalta que sentiu uma necessidade e, a partir daí, “procuramos preencher uma lacuna de mercado, optando por trabalhar com modelos que tenham o biótipo da mulher brasileira, que é magra, mas também tem curvas, bumbum, busto, cintura fininha. É aquele biótipo da mulher brasileira que é conhecido no mundo inteiro”. Para Ribeiro, em nosso estado “ele tem uma aceitação melhor”. Ele defende ainda que “as roupas caem muito melhor nelas do que em uma menina magra”.

Até mesmo quem não está acostumado com este biótipo acaba sucumbindo. “Já aconteceu de a gente estar em castings com outras agências que trabalham mais com modelo fashion e quando o cliente coloca a roupa nas nossas modelos, vê que a roupa sobressai e fecha negócio conosco. É bacana isso, porque tem espaço pra todo mundo e porque nós não batemos de frente com os outros e eles não batem de frente conosco. Cada um ocupa um espaço no mercado e a gente consegue abrir as portas para outro tipo de meninas que gostam de trabalhar com moda, mas que não preenchem os quesitos de altura, de quadril, que exigem para uma modelo fashion”.

Este é o caso da modelo Mayara Benicá, de 20 anos, que por muito tempo tentou ingressar na carreira, mas não conseguia por ter os padrões diferentes dos que são normalmente exigidos para subir numa passarela. “Fui em várias agências e sempre me mandavam emagrecer 10 quilos, mas eu não conseguia. E, ainda, tinha um problema! O padrão de quadril exigido é 90 centímetros e nem quando eu estava no meu peso mais baixo eu consegui atingir esse número por causa da minha formação óssea. Os agenciadores sempre falavam, por ser alta, que eu era uma modelo fashion, mas não conseguiria nenhum trabalho com meu peso e minhas medidas. Então eu desisti da carreira. Mas há algum tempo uma professora me incentivou e disse para eu procurar a House. Em 2009, fui para a agência e consegui um espaço no mercado da moda”, diz.

Quanto à questão da magreza, a postura da agência é, de acordo com Ribeiro, de “cuidado muito grande, pois o mais importante é que a modelo se sinta bem com ela mesma”. E, mais uma vez, o espelho é citado como o grande conselheiro. “Eu acho, sinceramente, que você tem que se olhar no espelho e se sentir bem. Não adianta sofrer por causa das tendências. O importante realmente é gostar daquilo que você vê”, opina o proprietário. E acrescenta: “essa questão da beleza é muito subjetiva. Eu sinceramente acredito que nem tudo que é moda deve ser seguido à risca”. Ele ainda finaliza com um conselho: “você deve olhar a moda, saber as tendências, mas usar aquilo adaptado para o seu jeito, escolhendo o que fica bem em você, que vai fazer você se sentir bem. Pra mim, o mais importante é isso: nunca deixar de ter personalidade própria e saber o que se quer”.

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